sexta-feira, 6 de novembro de 2009

de que rio na guerra?

o que segue é um relato/desabafo de um morador do Complexo do Alemão, que escreve e se inscreve no calor das balas que nem sempre são perdidas... Leia, Brasil!?!



***
Gente,
Escrevo abaixo um novo desabafo. Está fresquinho...enquanto digito o coro está comendo aqui.
Caveirão invade, às 10h30, o Complexo do Alemão, mais precisamente a favela de Nova Brasília. Depois de uma avalanche de presságios na Imprensa de “referência” do Rio de Janeiro onde as notícias centrais eram sobre a fala do secretario de segurança pública Mariano Beltrame de que o Rio não é violento, a polícia para responder as “críticas” dos jornalões resolve fazer uma incursão no Complexo do Alemão às 10h30 da manhã. Uma multidão de gente na rua, crianças vindo e indo para as escolas, comércios locais cheios de clientes etc. Começou o surdunço, neste exato momento da minha casa ouço vários tiros, muitos tiros, a bala tá comendo... depois disso vem o que todos já sabem, ou seja, notícia de que uma bala “perdida” matou uma pessoa inocente e que o tiro saiu da arma supostos traficantes, além de toda uma legitimação da morte de uma monte de gente de um lado e de outro a sentença, o juízo e a cretinice. Qual o resultado prático de mais um operação “pacífica”? Qual o propósito disso?
O Complexo do Alemão estava em paz (um período razoável), porém uma paz ameaçada de pelos quatro cantos, uma paz estranha, mas para que paz se o estado é beligerante? O que me incomoda nesta história é que ela se repete com freqüência. É só os jornalões investirem na máxima: A cidade do Rio está um caos, violenta, por exemplo, que tudo recomeça, aliás, são eles que investem constantemente e fazem da violência uma forma de manter a “paz” e mais do que isso uma forma de aquecer a economia de seguros de automóveis, sistemas de segurança etc., e reduzir a vida a Shopping Center. Daí a necessidade dessa contradição. Sugiro vocês acompanharem o que os jornalões noticiaram hoje e noticiarão amanhã.
A desfaçatez e o torpor de todos os que legitimam tais ações me dá nojo.
Preciso externar minha cólera contra tudo e todos que acreditam que a favela é o problema por excelência da sociedade civilizada. Peço desculpas àqueles que, “inconscientemente”, fazem seus discursos movido pela paixão doentia de uma paz quase metafísica, por conseguinte de uma vida mais tranqüila e feliz amparado nos discursos midiáticos. Nos últimos dias tem-me batido uma extrema revolta devido aos discursos, diálogos, papos que estou envolvido direta ou indiretamente. Uma revolta que se justifica, a meu ver, pela insistência em que tais falas não cessam de justificar a violência (retida estritamente a arma de fogo), os assaltos que vivemos na cidade do Rio de Janeiro. A favela e os favelados são a causa dessa barbárie. Bom, pelo menos pensam e agem assim os cidadãos de classe média e todos aqueles que reproduzem o discurso oficial que a favela e adjacências são um perigo constante.
O tempo todo ouço dizer que onde eu moro é perigoso, que o percentual de assaltos, assassinatos e todo tipo de degeneração social é elevadíssimo. Isso é irritante e confesso que cheguei ao meu limite. Quem gosta de mim, por favor, me poupe de comentários do tipo que mencionei acima. Já não suporto ver e ouvir amigos próximos que cresceram comigo e conseguiram a custa de muito esforço “mudar de vida”. Hoje. boa parte desses amigos, pertencem a outra “classe” social e de lá com seus binóculos costumam olhar para a favela quando lhe sobram tempo lêem um bom jornal e ou assistem TV informando de maneira imparcial e com base em pesquisas fidedignas que a favela é um problema para a sociedade. Esses amigos vivem dizendo que não podem me dar carona em seus carros com medo de serem roubados. Esses amigos olham para a favela e dizem que é um lugar feio de gente feia, pobre sem educação.
Ontem comemoramos o dia da favela com um evento com inúmeras manifestações culturais como dança, capoeira, música, teatro, artesanato, audiovisual etc., tudo feito e realizado pela favela e favelados em parceria com a secretaria de cultura do estado (que contradição né. Ponto para a secretaria pois é a única que está enxergando a pluralidade do Complexo). Alguém soube desse evento? Alguém assistiu em alguma emissora de TV ou leu em algum jornal? Parece que a TV Brasil foi a única que esteve lá, quando lá é lá no mais alto do morro, no cume, no campo onde houve aquele estardalhaço na morte do Tim Lopes...

Grande abraço e muita paz,
***

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

futuro passado

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

poemins

Meditabundo
Medita
Buda

O Brasil inteiro é uma favela
Que se estende até a Venezuela.

A menina gozava na língua
E eu na língua gozava na dela.


Hoje se abriu uma nova estação do nosso amor
Do encontro dos nossos espíritos e corpos
O mesmo e o outro, nós dois e o mundo,
A mesma e a outra, nós duas e o mundo.


Não sei se esse beijo quer dizer adeus ou já volto
Mas adoro e beijo.


Uma borboleta pousou na minha sorte
Como se um vulcão explodisse bem no centro
Do que me restava de alguma consciência
Estou muito bem, quase chorando de feliz.

- O que você está pensando?
- Além de te beijar, abraçar e morder?

A janela para um novo amor, para a baía, para a ilha, para o mar,
O que você está pensando sentado ao lado da janela?
Em te beijar, muito.

Meditabunda
Medita
Buda

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

amem

"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação."

domingo, 2 de agosto de 2009

¿QUÉ LES QUEDA A LOS JÓVENES?

Mario Benedetti

¿Qué les queda por probar a los jóvenes en este mundo de paciencia y asco?
¿Sólo grafitti? ¿rock? ¿escepticismo?
También lês queda no decir amén
No dejar que les maten el amor
Recuperar el habla y la utopía
ser jóvenes sin prisa y con memoria
situarse en una historia que es la suya
no convertirse en viejos prematuros
¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de rutina y ruina?
¿cocaína?¿cerveza?¿barras bravas?
Les queda respirar / abrir los ojos
Descubrir las raíces del horror
inventar paz así sea a ponchazos
entenderse con la naturaleza
y con la lluvia y los relámpagos
y con el sentimiento y con la muerte
esa loca de atar y desatar
¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de consumo y humo?
¿vértigo? ¿asaltos? ¿discotecas?
También les queda discutir con dios
tanto si existe como si no existe
tender manos que ayudan / abrir puertas
entre el corazón propio y el ajeno
sobre todo les queda hacer futuro
a pesar de los ruines del pasado
y los sabios granujas del presente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ideia

idéia sem acento
idéia sem assento
ideia sem acento
ideia sem assento

quarta-feira, 20 de maio de 2009

si dios fuera una mujer

Mario Benedetti (1920-2009)

¿Y si Dios fuera una mujer?
Juan Gelman

¿y si dios fuera mujer?
pregunta juan sin inmutarse

vaya vaya si dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas

tal vez nos acercáramos a su divinades
nudez
para besar sus pies no de bronce
su pubis no de piedra
sus pechos no de mármol
sus labios no de yeso

si dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos sida o pánico
nos contagiaría su inmortalidad

si dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos
sino que nos aguardaría en el zaguán del
infierno
con sus brazos no cerrados
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles

ay dios mío dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería
qué venturosa espléndida imposible
prodigiosa blasfemia

Se todo mundo sair de carro ninguém anda

Doses crescentes de engarrafamento
Doses crescentes de mais engarrafamento
Doses crescentes de ainda mais engarrafamento
Doses crescentes de automóveis de engarrafamento
Doses crescentes de mais automóveis de engarrafamento
Doses crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais doses automóveis de engarrafamento
Ad catastrophem

amor ambiente

O amor condicionado como o ar
Está ressecando minhas narinas
E o ar que respira o antigo coração

O sangue a correr nas velhas veias
Do oxigênio condicionado do amor
Engarrafado em doses crescentes
De carbono queimado na atmosfera

o amor respira o ar da atmosfera
condicionado como o ar está o amor
do oxigênio sufocado pela queima
do carbono vegetal e mineral da terra

as narinas ressecadas
e o antigo coração condicionados
sufocados nesta atmosfera
de abandono do ar
de queima do carbono

o coração fumaça
sufoca o amor do mundo
a indústria do coração fumaça
sufoca

quinta-feira, 7 de maio de 2009

viração



poema na rua
amigo me diz
vai
agora vai
beijo
a rua me beija

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"As coisas que chamamos de amor"

"Cobiça e amor: que sentimentos diversos evocam essas duas palavras em nós! - e poderia, no entanto, ser o mesmo impulso que recebe dois nomes; uma vez difamado do ponto de vista dos que já possuem, nos quais ele alcançou alguma calma e que temem por sua 'posse'; a outra vez do ponto de vista dos insatisfeitos, sedentos, e por isso glorificado como 'bom'.

Nosso amor ao próximo - não é ele uma ânsia por nova propriedade? E igualmente o nosso amor ao saber, à verdade, e toda ânsia por novidades?

Pouco a pouco nos enfadamos do que é velho, do que possuímos seguramente, e voltamos a estender os braços; ainda a mais bela paisagem não estará certa do nosso amor, após passarmos três meses nela, e algum litoral longínquo despertará nossa cobiça: em geral, as posses são diminuídas pela posse. Nosso prazer conosco procura se manter transformando algo novo em nós mesmos - precisamente a isto chamamos possuir.

Enfadar-se de uma posse é enfadar-se de si mesmo.

(Pode-se também sofrer da demasia - também o desejo de jogar fora, de distribuir; pode ter o honrado nome de "amor".)

Quando vemos alguém sofrer, aproveitamos com gosto a oportunidade que nos é oferecida para tomar posse desse alguém; é o que faz o homem benfazejo e compassivo, que também chama de "amor" ao desejo de uma nova posse que nele é avivado, e que nela tem prazer semelhante ao de uma nova conquista iminente.

Mas é o amor sexual que se revela mais claramente como ânsia de propriedade: o amante quer a posse incondicional tanto sobre sua alma como sobre seu corpo, quer ser amado unicamente, habitando e dominando a outra alma como algo supremo e absolutamente desejável.

Se considerarmos que isso não é outra coisa senão excluir todo o mundo de um precioso bem, de uma felicidade e fruição; se considerarmos que o amante visa o empobrecimento e privação de todos os demais competidores e quer tornar-se o dragão de seu tesouro, sendo o mais implcacável e egoísta dos 'conquistadores' e exploradores; se considerarmos, por fim, que para o amante todo o resto do mundo parece indiferente, pálido, sem valor; e que ele se acha disposto a fazer qualquer sacrifício, a transtornar qualquer ordem, a relegar qualquer interesse: então nos admiraremos de que esta selvagem cobiça e injustiça do amor sexual tenha sido glorificada e divinizada a tal ponto, em todas as épocas, que desse amor foi extraída a noção de amor como o oposto do egoísmo.

Nisso, evidentemente, o uso lingüístico foi determinado pelos que não possuíam e desejavam - os quais sempre foram em maior número, provavelmente. Aqueles que nesse campo tiveram posses e satisfação bastante deixaram escapar, aqui e ali, uma palavra sobre o 'demônio furioso', como fez o mais adorável e benquisto dos atenienses, Sófocles: mas Eros sempre riu desses blasfemos - eram, invariavelmente, os seus grandes favoritos.

- Bem que existe no mundo, aqui e ali, uma espécie de continuação do amor, na qual a cobiçosa ânsia que duas pessoas têm uma pela outra deu lugar a um novo desejo e cobiça, a uma elevada sede conjunta de um ideal acima delas: Mas quem conhece tal amor? Quem o experimentou? Seu verdadeiro nome é amizade."

Friedrich Nietzsche. Gaia Ciência, § 14.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Plutarco

"Não se pode exercer a retórica sem falar, porém exerce-se a filosofia mesmo pelo silêncio, ou pelo gracejo; porquanto, assim como o mais alto grau da injustiça é não ser justo, e todavia parecê-lo, assim também a culminação da ciência consiste em filosofar sem dar indícios de tal, e de semblante alegre fazer o mesmo que fazem os mais sérios".

apud Tobias Barreto. "Teoria do peruísmo ou filosofia do peru". SP: Barcarolla, 2004.

domingo, 28 de dezembro de 2008

outro antecedente

não me venha meu bem com queixumes
pois "o amor é uma invenção do ciúmes"
se você me amasse menos e me amassasse mais
eu te juro meu bem, eu estaria em paz.


Theodor Wiesengrund Adorno dixit:

"Primeiro e único princípio da ética sexual: o acusador nunca tem razão."

Minima Moralia. SP: Ática, 1992, p. 42.

domingo, 9 de novembro de 2008

Fla Hélade


[contribuição anônima]

Fratria da Grécia Flamenguista

"Kalós! Kalós! Kalós kai Agathós!
Nóis é Flamengo, ninguém é melhor que nóis!"

terça-feira, 30 de setembro de 2008

foto de Kau H

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

na errância

na errância, erramos

educar é errar. E acertar onde não intentamos, se acaso alguma vez se faz algo de certo. Pela confiança e estima que encontramos, em estudantes e colegas, em colegas estudantes, em amigos e adversários...

o pensamento quer amadurecer para poder falar, mas muitas vezes não é possível, e talvez seja sempre impossível conseguir não falar em estado verde, em estado de incompletude e imperfeição.

e mesmo quando acertamos, mal deixa de se revelar nossa ignorância.

na errância, erramos.

quem eu, minúsculo e ignorante?

sábado, 23 de agosto de 2008

niteróiêba

niteróiêba
ainda na barriga cachorro já latiu
cheguei pequenininho com a sola do pé vermelha
logo pegou fogo na padaria
fui pra longe e fiquei lá muito tempo
crescendo
vivendo
vendo
lendo
sendo
daí um tempo vim parar aqui de novo
a cabeça já um tanto vácua
e os olhos perdidos nas ondas do mar
ah, niteróiêba
põe esse cachorro pra correr
ou deixa ele descansar ali na calçada
o cachorro da vida passando
e o passarinho cantando na luz da manhã

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

if

derramou coca cola no meu capital

o mundo dá voltas

o oceano, grande rio que corre para si mesmo
e cai como cachoeira nas próprias ribanceiras

o oceano cachoeira cai como chuva faceira
sobre nossas cabeças

derramou coca cola no capital
mas a gente vai adiante
que nem toda história em quadrinhos
é tio patinhas

segunda-feira, 2 de junho de 2008

vulgo filósofo


a popularidade para a filosofia
e o seu caráter acadêmico

vulgarizar a filosofia
torná-la digna do vulgo
torná-la vulgo
tornar o vulgo filósofo
entornar a filosofia
filosofar o vulgo
filosofar a vulgaria

como perder-se no pensamento?
como orientar-se no pensamento?

orientar-se a perder-se
vulgar
menos que filósofo
ignorante

a tua ara atual

atual atuar ato atua atualizando atualiza
o ato atua atualiza o atuar atual
em ato o atual atua
o que cedo se pensou atua
o que cedo se pensou se faz atual

atualia!...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

meu amor de fumaça

Você, sua presença, me impede beijar meu amor. Você me impede. Você me oprime. Eu me deixo oprimir por você. Eu me auto-impeço. Eu me impeço. Eu incorporo a proibição. A proibição se torna obrigação. Eu me obrigo. Eu brigo comigo. Eu brigo com você. Opressão. Ação e reação. Destruição.

Deixa a vida viver. Deixa a palha queimar a vida em fumaça. Deixa a atmosfera esquentar. Deixa o oceano subir. Os tempos tormentosos já estão por vir. Por aqui pode reinar a paz.

A força sempre exige a força para reinar.
Qual a força da paz para criar seu reino?

é aqui que me treino e destreino.
age para o tempo menos se atormentar.
para o tempo amar e se amassar.
para você
e nós
animais e plantas
terra e mar
ar pra respirar
vida pra espertar

dor

Perdoa mãe se te ofendo, ou fujo de você.
Mas temo não estar a altura do seu amor.
O meu amor é de baixeza, e sente falta de ar nas suas elevações.
Ainda assim te amo.
Beijo

sexta-feira, 2 de maio de 2008

açude

si tu estavas lá en el camiño
yo no pudes yo já no podía
si estavas lá linda en el camiño
yo me sacudes yo me sacudía
que linda eras tu en el camiño
adonde acudes, adonde acudía

sábado, 26 de abril de 2008

mon amie

mon amie
jo quiero te ajudar a criar tu blog
vamos, vamos, vamonos

bjos

sábado, 5 de abril de 2008

alles klar Freunde

“O amor a um único ser é uma barbaridade: pois é praticado às expensas de todos os outros. Também o amor a Deus.” [Nietzsche, Além do Bem e do Mal, 67]


Pode o amor ser real? Um respeito profundo por quem está comigo, e a solidão, a dúvida da solidão, o destino da solidão...

A vida é o que é: um entrecruzamento de sentidos, atravessamento de forças, excita e dissipa, rolo compressor sobre asfalto quente, gente é piche pra ser amassado e modelado na estrada do futuro...

O poder do rei, do príncipe moderno, é ser nosso centro de atenção permanente, nosso canal de coordenação com o mundo do verdadeiro significado da força... acreditar na força...

“eles podem porque pensam que podem”

amor é cuidado, cura. Olhar nos olhos, tocar a pele e comunicar o silêncio.

"o povo tem a força, precisa descobrir: se eles lá não fazem nada faremos tudo daqui". Cidinho e Doca, Rap da Felicidade

sexta-feira, 28 de março de 2008

Nicolas Behr



NÓS QUE SOMOS LIVRES

nós que temos água tratada em casa
nós que não sabemos o que é passar fome
nós que morreremos lá pelo ano 2032
nós que somos manipulados pela mídia
nós que não seremos salvos no juízo final
nós que ainda não ficamos loucos
nós que estamos destruindo o planeta
nós que resistimos à invasão americana
nós que zombamos dos bêbados
nós que somos egoístas,por isso não queremos morrer
nós, os indiferentes, parasitas da máquina estatal
nós que nos consideramos sapiens
nós que falamos muito de nós mesmos
e pouco das coisas
nós que nos humilhamos perante deus
nós que temos dinheiro para comprar livros
nós que somos bons de cama e infelizes no amor
nós que às vezes plantamos árvores
nós do carro importado-fetiche,
do celular-fetiche, da grife-fetiche
nós que vamos à missa mas torturamos
nós que tratamos as crianças como imbecis
nós que somos fracos, por isso nos unimos
nós que temos esperança no ser humano
nós que sofremos de fadiga neurótica
nós os salvadores da pátria, ah que pátria...
nós que temos vergonha por sermos honestos
nós que quase fomos escravizados por hitler
nós que não entendemos as formigas nem os tijolos

domingo, 9 de março de 2008

dez encontros

1- "fugir desesperadamente do que diminui o nosso poder de agir"

2- desencontro

às vezes é no desencontro
que as almas se revelam
quando se ferem se lanham
com palavras lágrimas e insultos
e só lhes resta o assombro.

bem que gostaríamos
fosse ameno doce ou luminoso
o encontro mas é no desencontro
que às vezes as almas se revelam
quando ásperas e agressivas
se tocam no mais fundo
e perplexas se contemplam
como se contempla
- o intransponível abismo.

affonsorommanodesanttanna, oautor

3- minha cabeça roda, as pessoas estão aqui, perto, minha cabeça roda, as pessoas estão ali, bem perto, minha cabeça roda, quantas vezes minha cabeça roda e me perco das pessoas, aqui, ali, perto?

4- perdeu, perdeu

5- sonho. não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro. alea jacta est.

"dizem que ontem à noite um inexplicável morcego assustou os pacientes da enfermaria geral.

dizem que hoje de manhã todos os vidros do ambulatório apareceram inexplicavelmente sem tampa, os rolos de gaze todos sujos de vermelho." (josé paulo paes)

...

(dois morcegos à noite cravam no meu peito mas quase não machucam
voam diante de mim na luz escura da noite
morcegos em silêncio entre as árvores)

6- eu ia perguntar pra você se podia
mas senti só tristeza

7- "fico alegre quando te vejo
fico alegre quando me vê
eu sou um palhaço bonito
me apresento
lindo e louco
depois vou embora
depois torno a voltar
depois vou embora
depois torno a voltar
tira a bruxa do coração
solta a bucha e vira balão
vou com deus e nossa senhora
o capeta atrás tocando viola
nossa senhora do cerrado
protetora dos pedestres
que atravessam o eixão
às seis horas da tarde
fazei com que eu chegue
são e salvo
na casa da Noélia"
(liga tripa)

8- mãe e pai amo

9- água da seiva, meu irmão

10- pitágoras

- ainda falta?

terça-feira, 4 de março de 2008

"language is a virus"

tem gente que fica pondo comentários com links

para vírus imagino, não fico indo lá pra conferir

cuidado aí galera

esse blogspot não protege contra isso não?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

hegeliana

o ser é a ausência do não-ser no meio do nada.

a presença é a ausência da ausência.

(a-)põe negatividade nisso.

...

o caminho que não se sabe onde vai não chega a lugar algum embora passe por muitos, passe embora, vai embora.

o caminho vem, tudo é estrada, mas nem tudo, muito é paço, largo, descanso, remanso.

mas trabalho é atividade, de quanta atividade necessita a alegria para existir?

blowing in the wind
meus olhos baços

faz tempo que a gente
se encontra

e se desencontra
a favor

a graça
a inocência

desculpa é saber o modo do camelo caminhar
o andar do leão
a brincadeira da criança

sombra




à sombra, não, não há nada pra dizer à sombra, apenas o seu manto de negrume cobre inclusive as palavras

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eclipse quarta feira 20/02

Eclipse lunar total em 20-21/fevereiro

Durante a noite de 20 para 21 de fevereiro de 2008 ocorrerá um eclipse lunar total que poderá ser observado de todo o território brasileiro. Será um espetáculo imperdível! Consulta a programação para este dia em nossa a Agenda Astronônica.

A Lua penetrará na umbra (início da fase parcial) em torno de 22h43 de 20/02. A fase total se iniciará às 00h01 do dia 21/02 e irá até 00h51, durando portanto cinquenta minutos. O meio do eclipse se dará às 00h26. Ás 02h09 do dia 21/02, a Lua sairá da umbra, encerrando a segunda fase parcial do eclipse. Todos esses tempos estão no horário legal de Brasília.

Todas as fases deste eclipse serão visíveis do Brasil: uma condição tão favorável quanto essa não ocorrerá nos próximos anos. Note-se que, em 16/08/2008, haverá um outro eclipse lunar visível de boa parte do Brasil - mas este será parcial somente. E dos quatro eclipses que ocorrerão em 2009, nenhum será favorável para nós: três serão apenas penumbrais (e portanto, nada poderá ser observado visualmente), e o quarto, parcial, será invisível no Brasil. Na realidade, apenas em Abril de 2015 teremos condições ideais como as do eclipse que se avizinha. Portanto, recomendamos não perder esta oportunidade !

Maiores detalhes sobre este evento podem ser vistos em:

http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/LEmono/TLE2008Feb21/TLE2008Feb21.html

http://www.uranometrianova.pro.br/circulares/circ0032.htm

domingo, 17 de fevereiro de 2008

chorei contigo


me amasso na palhoça
me almoço no palhaço

chorei contigo
parei no inferno
o cão foi quem botou pra nós beber
o cão foi quem botou pra nós beber

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

amoça



ele ama adorar a moça
e a moça não é a moça
é adorar a moça

um pedestal que se põe dentro de casa
a imagem resplandecente
da moça que não é a moça

amar, além, a moça

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

semente de fogo


candombá

água, luz e treva



na escuridão e na luz
guiamos
seguimos
no mergulho de flutuação
a parede no fim e o vão no fundo

como nadar junto com uma só lanterna
a água entra na máscara pelo bigode
é preciso respirar e tomar cuidado
para não tossir demais e engolir mais água ainda

como nadar no escuro
na caverna onde nada se vê
e no fundo do chão há uma passagem submersa
para outro poço?

toda a escuridão do passado vem pesar sobre você agora
mas tem o peso do ar, o peso do vento,
o peso leve do movimento
o peso vácuo da fantasia

o sonho da escuridão
como dormir na pedra e sonhar na calçada
a luz da lua e a luz do poste
a água a cantar

vem, água, me encanta

erro e política

erro e política
hoje errei várias vezes, consigo me lembrar de algumas
todo dia erro várias vezes, às vezes muito mais do que outros dias
cada dia é um erro
cada dia um desacerto
mas não significa que todo mundo ajude
nem muita gente ajuda muito
a gente mesmo às vezes se atrapalha
a cada dia, todo dia, por pura vaidade,
por desmazelo,
por sono
ou por preguiça,
ou por comodismo,
ou por desespero,
ou por cinismo,
ou por auto-comiseração,
ou por que será?
por que será que erro e política sempre andam juntos?
ainda que aqueles acertem
no alvo
no meio da cara do alvo
como um soco
bem dado
mal dado
no meio da cara.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

elas