quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

filosofia na pista


‎...e se hoje acontece alguém ser louvado, por viver 'sabiamente' ou 'como um filósofo', isto quer dizer apenas que vive 'prudente e afastado'. Sabedoria: isto parece ser uma espécie de fuga para a plebe, um meio e um artifício para sair bem de um jogo ruim; mas o verdadeiro filósofo ... vive de modo pouco filosófico e pouco sábio, sobretudo bem pouco prudente, e sente o fardo e a obrigação das mil tentativas e tentações da vida - ele arrisca a si próprio constantemente, jogando o jogo ruim...

[nietzsche, além de bem e mal, 205]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

liberdade, convicção, experiência


O espírito livre é alguém dedicado ao conhecimento, que desdenha a veneração das massas e atravessa o mundo de forma tão silenciosa quanto dele sai. Sendo 'inatual', o espírito livre não tem amarras com a 'opinião pública'. Seu oposto imediato, o homem de convicções, é aquele que crê estar em posse de verdades definitivas e, por isso mesmo, tem por postulado não poder ser refutado. O espírito livre, ao contrário, nunca fixa opiniões em convicções: ele impede essa fixação por constantes variações e só terá ao seu dispor probabilidades exatamente mensuradas. Assim descrito, o espírito livre é, antes de tudo, um experimentador. Nietzsche o opõe ao espírito servo. As cadeias as mais fortes que o espírito deve romper para libertar-se são as cadeias dos deveres, quer dizer, o respeito aos valores antigos e venerados. O espírito livre vai designando, assim, uma vontade de autonomia na determinação de si mesmo e de seus próprios valores, uma 'vontade de vontade livre'. Agora o espírito livre torna-se um experimentador curioso em face dos frutos proibidos: ele se interrogará então se não podemos inverter todos os valores; se o bem não seria o mal; se Deus não seria uma invenção; se não pode ocorrer que tudo seja falso. Sua liberdade de espírito deverá abrir-lhe a via para maneiras de pensar múltiplas e opostas, o que lhe dará o privilégio de viver a título de experiência.

[Carlos A. R. de Moura. Nietzsche: civilização e cultura. SP: Martins Fontes, 2005.]

domingo, 21 de novembro de 2010

eironeia:

ignorabimus?

heraclitea


cada poeta é um barco onde o que lira, arco.
o verbo dá o bote além do boato.
duas vezes no mesmo no rio nunca se navega:
na crista da onda mais alta harmonia enxerga.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

afeto alegria I


com você
amor
tanta luz

afeto alegria II


quanta luz
com você
amor

sábado, 16 de janeiro de 2010

teatro?

(...) pela primeira vez me proporcionavam ensejo de prestar um serviço, ainda que insignificante, à classe teatral, da qual me confesso um dos grandes devedores, porque lhe devo um dos intervalos mais agradáveis da vida: o que tenho passado nos teatros. Não posso fazer o cálculo, teria mesmo acanhamento de o fazer; somadas, porém, todas as horas que tenho vivido na platéia ou nos camarotes, sem contar os minutos dos bastidores, minha carreira de espectador há de preencher talvez o espaço de um ano, o mesmo tempo que tenho passado no mar, e, tanto um como outro, tenho-os como dos mais bem empregados da vida.

Joaquim Nabuco apud PRADO, Décio de Almeida. História concisa do teatro brasileiro: 1570-1908. São Paulo: Edusp, 1999.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

acorda, amor

acordar lendo jornal
ou poesia?

a dançarina marcharia
a soldadesca desvaria

pra acordar:
ler jornal
ou poesia?

Teatro e Oficina: Perdiz

como anda o Teatro Oficina do Perdiz?

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/07/27/diversaoearte,i=129872/OFICINA+TEATRO+PERDIZ+PADECE+SEM+ESPETACULO+E+ESPERANCA+DE+VER+ERGUIDA+A+NOVA+ESTRUTURA.shtml

segue o texto da matéria:

***
SHOW DE BANZÉ »
Oficina-teatro Perdiz padece sem espetáculo e esperança de ver erguida a nova estrutura

Sérgio Maggio
Publicação: 27/07/2009 08:36 Atualização: 27/07/2009 10:16


José Perdiz enche o vira-lata Banzé de Afagos diante da Oficina-Teatro Perdiz: o sonho acabou
O semblante de tristeza de José Perdiz se desfaz toda vez que o novo astro da oficina-teatro entra em cena. Ali, ele esquece a amargura de ver o espaço cultural reduzido ao vazio. Basta o cachorro Banzé rodopiar equilibrando-se em duas patinhas para o torneiro mecânico e mecenas dos sem-palco abrir o sorrisão. O vira-lata tem sido um alento na vida deste senhor de 77 anos, que há 20 resolveu encampar a ideia maluca de fazer um espetáculo em meio ao ferro-velho.

- De noite, quando olho para a arquibancada abandonada, lembro de tanta vida que se levantou neste chão. Nem parece que foi real. Tudo foi um sonho que se foi, lamenta Perdiz.

Ao redor da declaração de Perdiz, o cineasta Piu Gomes arma o set de filmagem para dar continuidade ao curta José(s), que há dois anos reuniu ali José Celso Martinez Correa e José Perdiz, os dois donos de teatros-oficinas, numa filmagem histórica.

- É um curta que está virando um longa. A sensação que tenho é de filmagem sobre o nada. Há dois anos se costura um acordo para erguer um novo espaço e absolutamente nada acontece. Agora, a gente chega e tem essa sensação de opressão, desabafa Piu Gomes, referindo-se à marquise de construção vizinha, que avançou três metros sobre a oficina.

- O teatro aqui acabou. Sinto que estou em fim de linha e não vou deixar aos jovens artistas da cidade um espaço para a realização de peças. Isso me deixa muito amargurado, completa Perdiz, há 40 anos ocupando o terreno considerado de posse pública.

O nó de marinheiro que envolve a questão da Oficina do Perdiz, um patrimônio imaterial da cultura do DF, parecia desatado com acordo envolvendo a Secretaria de Cultura do GDF, a imobiliária do prédio vizinho e o proprietário José Perdiz para construir o novo espaço cultural em terreno na 710 Norte (bloco E, entre os lotes 32 e 54). É um espaço de 5,70m de largura onde será erguida a oficina no térreo, o teatro no subsolo e a moradia no primeiro andar. Na sexta-feira, Piu Gomes levou Perdiz para o local a fim de fazer mais uma tomada.

- Outro dia, disseram: 'Vamos começar a obra nesta semana'. Já se passaram dois meses. É um espaço pequeno para o sonho que eu tinha, de sala de música e biblioteca. Mesmo assim, gostaria muito de ver isso de pé ainda em vida, observa José Perdiz, que olha abismado um grafite recente na parede do vizinho.

No desenho, há um monge e um bobo da corte. Perdiz se perde no mundo de cores e imagens erguido pelo spray.

- Velho, ele (o monge) parece até comigo, de tão triste que está.

Visivelmente angustiado, José Perdiz recorre à metáfora para traduzir como se sente diante desse tempo estancado: a de um pugilista de 2m de altura que pega o mecânico-mecenas pela gola da camisa e soca o seu corpo sem piedade.

- Não tenho força pra escapulir dele.

Quando parece desistir de tudo, aí vem Banzé balançando o rabo. Perdiz se desmancha e enche seu cachorro de carinho.

- Banzé é o novo Zé deste filme. Acho que ele representa bem tudo isso. O homem que acolhe o cachorro vira-lata assim como abrigou o artista sem dinheiro para fazer seu teatro, compara Piu Gomes.

Memória
Sonho e pesadelo

Há duas fases na história a ser contada sobre a Oficina do Perdiz. Uma de dor e sofrimento, outra cheia de vida e de arte. São narrativas que estavam isoladas e só se encontraram em 1989, quando o diretor Mangueira Diniz teve a fagulha de encenar Esperando Godot em meio aos tornos e fresas de José Perdiz. A primeira começa em 1965, quando o trabalhador braçal de aspirações comunistas chega à nova capital do Brasil. Cheio de sonhos e ideologias, ele acaba por empenhar a vida junto com o crescimento da cidade. É aí que adquire, sem saber, terreno em área que era irregular e constrói em 1969 uma oficina na 708 Norte. Começa então um tempo de luta para pôr em ordem à posse da terra, que sucessivamente será ameaçada de despejo.

Talvez, a oficina estivesse há muito tempo no chão se não fosse o começo da segunda parte dessa história. Quando o teatro pisou ali, em 1989, subiu uma energia que contagiou a cidade. Esperando Godot provocou um burburinho em Brasília e Bella ciao, de 1991, virou alvoroço. Deu um ar de urbanidade à capital: uma peça encenada numa oficina mecânica, na qual o elenco cozinhava, comia e se deleitava ocupando todos os espaços. Até Perdiz estava em cena como um nono italiano.

A partir daí, a oficina mecânica de José Perdiz foi batizada como um templo teatral. Mais: um espaço que subverteu a ordem matemática dos criadores de Brasília, onde diversão e arte tinham setor certo para ocorrer. Perdiz abriu as portas para todos aqueles que queriam fazer teatro, tendo ou não dinheiro para pagar ao menos a conta de luz gasta com as sessões teatrais. Não à toa, todas as tentativas posteriores de derrubada da oficina-teatro foram defendidas por cordão humano formado por artistas, que se tornaram guardiões. Fizeram vigília quando os tratores chegaram bem perto.

Até o acordo final para desocupar o espaço em prol da construção de outro, legal e com escritura, José Perdiz experimentou essa gangorra de sentimentos. Do sonho ao pesadelo, do teatro à insensibilidade dos burocratas, da esperança à sensação do fim dos dias.

Obra emperrada

O secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, está preocupado com a situação no novo teatro oficina. Na quarta-feira passada, ele esteve com o procurador do Ministério Público Roberto Carlos Silva para tentar uma saída para atual impasse que emperra a obra.

- A Administração de Brasília não quer liberar a construção das arquibancadas para o teatro, alegando que a 710 Norte não é área destinada ao teatro, conta Silvestre.
De acordo com o secretário, os empresários da imobiliária estão a ponto de construir o terreno, o Derpha fez o projeto, mas a Administração empacou.

- Enquanto isso, o prédio vizinho da atual oficina está ficando pronto.

As 200 famílias vão se mudar e acabar por expulsar o Perdiz, prevê o secretário, que promete se mexer para evitar que Brasília perca a Oficina-Teatro Perdiz.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

bilhete ao filósofo


necessidade não de trabalhar para conseguir dinheiro
mas de conseguir dinheiro para trabalhar

Rogério Duarte. Tropicaos

sábado, 9 de janeiro de 2010

Rilke e os versos

Pois versos não são, como as pessoas imaginam, sentimentos (a esses, temos cedo demais) - são experiências. E por causa de um verso é preciso ver muitas cidades, pessoas e coisas, é preciso conhecer bichos, é preciso sentir como voam os pássaros, e saber com que gestos flores diminutas se abrem ao amanhecer. É preciso poder recordar caminhos em regiões desconhecidas, encontros inesperados, e despedidas que há muito sentíamos chegar - dias da infância, ainda não explicados, os pais que tínhamos de magoar quando nos davam alguma alegria e não a entendíamos (era uma alegria para outra pessoa), doenças de criança que começavam de modo tão singular, com tantas e tão profundas transformações, dias em quartos silenciosos e isolados, e manhãs no mar, o mar sobretudo, mares, noites de viagem rumorejando no alto e voando com todas as estrelas - e poder pensar em tudo isso ainda não é suficiente. É preciso ter lembranças de muitas noites de amor, nenhuma semelhante à outra, gritos de mulheres dando à luz, leves e alvas parturientes adormecidas que se tornavam a fechar. E também é preciso ter estado com moribundos, sentar-se junto aos mortos no quartinho com a janela aberta, e aqueles ruídos intermitentes. E também não basta ter recordações. É preciso saber esquecê-las, quando são muitas, e ter a grande paciência de esperar que retornem por si. Pois as lembranças em si ainda não o são. Só quando se tornarem sangue em nós, olhar e gesto, sem nome, não mais distinguíveis de nós mesmos, só então pode acontecer que numa hora muito rara brote do meio delas a primeira palavra de um poema.

Rainer Maria Rilke em "Os cadernos de Malte Laurids Brigge", tradução de Lya Luft, São Paulo, Ed. Novo Século, 2008, p. 18-19.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

novo ano?

ano novo onde é que eu vou?
vou ficar por aqui mesmo
andando ali, andando aqui
procurando...
um novo post para um novo ano
ano novo
feliz planeta novo
o sol é novo a cada dia
estou procurando
um novo post
para um novo ano
um novo posto
uma nova aposta
uma nova posta
estou procurando...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

de que rio na guerra?

o que segue é um relato/desabafo de um morador do Complexo do Alemão, que escreve e se inscreve no calor das balas que nem sempre são perdidas... para ler, compreender e transformar a realidade brasileira...



***
Gente,
Escrevo abaixo um novo desabafo. Está fresquinho...enquanto digito o coro está comendo aqui.
Caveirão invade, às 10h30, o Complexo do Alemão, mais precisamente a favela de Nova Brasília. Depois de uma avalanche de presságios na Imprensa de “referência” do Rio de Janeiro onde as notícias centrais eram sobre a fala do secretario de segurança pública Mariano Beltrame de que o Rio não é violento, a polícia para responder as “críticas” dos jornalões resolve fazer uma incursão no Complexo do Alemão às 10h30 da manhã. Uma multidão de gente na rua, crianças vindo e indo para as escolas, comércios locais cheios de clientes etc. Começou o surdunço, neste exato momento da minha casa ouço vários tiros, muitos tiros, a bala tá comendo... depois disso vem o que todos já sabem, ou seja, notícia de que uma bala “perdida” matou uma pessoa inocente e que o tiro saiu da arma supostos traficantes, além de toda uma legitimação da morte de uma monte de gente de um lado e de outro a sentença, o juízo e a cretinice. Qual o resultado prático de mais um operação “pacífica”? Qual o propósito disso?
O Complexo do Alemão estava em paz (um período razoável), porém uma paz ameaçada de pelos quatro cantos, uma paz estranha, mas para que paz se o estado é beligerante? O que me incomoda nesta história é que ela se repete com freqüência. É só os jornalões investirem na máxima: A cidade do Rio está um caos, violenta, por exemplo, que tudo recomeça, aliás, são eles que investem constantemente e fazem da violência uma forma de manter a “paz” e mais do que isso uma forma de aquecer a economia de seguros de automóveis, sistemas de segurança etc., e reduzir a vida a Shopping Center. Daí a necessidade dessa contradição. Sugiro vocês acompanharem o que os jornalões noticiaram hoje e noticiarão amanhã.
A desfaçatez e o torpor de todos os que legitimam tais ações me dá nojo.
Preciso externar minha cólera contra tudo e todos que acreditam que a favela é o problema por excelência da sociedade civilizada. Peço desculpas àqueles que, “inconscientemente”, fazem seus discursos movido pela paixão doentia de uma paz quase metafísica, por conseguinte de uma vida mais tranqüila e feliz amparado nos discursos midiáticos. Nos últimos dias tem-me batido uma extrema revolta devido aos discursos, diálogos, papos que estou envolvido direta ou indiretamente. Uma revolta que se justifica, a meu ver, pela insistência em que tais falas não cessam de justificar a violência (retida estritamente a arma de fogo), os assaltos que vivemos na cidade do Rio de Janeiro. A favela e os favelados são a causa dessa barbárie. Bom, pelo menos pensam e agem assim os cidadãos de classe média e todos aqueles que reproduzem o discurso oficial que a favela e adjacências são um perigo constante.
O tempo todo ouço dizer que onde eu moro é perigoso, que o percentual de assaltos, assassinatos e todo tipo de degeneração social é elevadíssimo. Isso é irritante e confesso que cheguei ao meu limite. Quem gosta de mim, por favor, me poupe de comentários do tipo que mencionei acima. Já não suporto ver e ouvir amigos próximos que cresceram comigo e conseguiram a custa de muito esforço “mudar de vida”. Hoje. boa parte desses amigos, pertencem a outra “classe” social e de lá com seus binóculos costumam olhar para a favela quando lhe sobram tempo lêem um bom jornal e ou assistem TV informando de maneira imparcial e com base em pesquisas fidedignas que a favela é um problema para a sociedade. Esses amigos vivem dizendo que não podem me dar carona em seus carros com medo de serem roubados. Esses amigos olham para a favela e dizem que é um lugar feio de gente feia, pobre sem educação.
Ontem comemoramos o dia da favela com um evento com inúmeras manifestações culturais como dança, capoeira, música, teatro, artesanato, audiovisual etc., tudo feito e realizado pela favela e favelados em parceria com a secretaria de cultura do estado (que contradição né. Ponto para a secretaria pois é a única que está enxergando a pluralidade do Complexo). Alguém soube desse evento? Alguém assistiu em alguma emissora de TV ou leu em algum jornal? Parece que a TV Brasil foi a única que esteve lá, quando lá é lá no mais alto do morro, no cume, no campo onde houve aquele estardalhaço na morte do Tim Lopes...

Grande abraço e muita paz,
***

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

futuro passado

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

amem

"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação."

domingo, 2 de agosto de 2009

¿QUÉ LES QUEDA A LOS JÓVENES?

Mario Benedetti

¿Qué les queda por probar a los jóvenes en este mundo de paciencia y asco?
¿Sólo grafitti? ¿rock? ¿escepticismo?
También lês queda no decir amén
No dejar que les maten el amor
Recuperar el habla y la utopía
ser jóvenes sin prisa y con memoria
situarse en una historia que es la suya
no convertirse en viejos prematuros
¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de rutina y ruina?
¿cocaína?¿cerveza?¿barras bravas?
Les queda respirar / abrir los ojos
Descubrir las raíces del horror
inventar paz así sea a ponchazos
entenderse con la naturaleza
y con la lluvia y los relámpagos
y con el sentimiento y con la muerte
esa loca de atar y desatar
¿qué les queda por probar a los jóvenes
en este mundo de consumo y humo?
¿vértigo? ¿asaltos? ¿discotecas?
También les queda discutir con dios
tanto si existe como si no existe
tender manos que ayudan / abrir puertas
entre el corazón propio y el ajeno
sobre todo les queda hacer futuro
a pesar de los ruines del pasado
y los sabios granujas del presente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ideia

idéia sem acento
idéia sem assento
ideia sem acento
ideia sem assento

quarta-feira, 20 de maio de 2009

si dios fuera una mujer

Mario Benedetti (1920-2009)

¿Y si Dios fuera una mujer?
Juan Gelman

¿y si dios fuera mujer?
pregunta juan sin inmutarse

vaya vaya si dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas

tal vez nos acercáramos a su divinades
nudez
para besar sus pies no de bronce
su pubis no de piedra
sus pechos no de mármol
sus labios no de yeso

si dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos sida o pánico
nos contagiaría su inmortalidad

si dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos
sino que nos aguardaría en el zaguán del
infierno
con sus brazos no cerrados
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles

ay dios mío dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería
qué venturosa espléndida imposible
prodigiosa blasfemia

Se todo mundo sair de carro ninguém anda

http://www.youtube.com/watch?v=oQjX19ZPbDY

Doses crescentes de engarrafamento
Doses crescentes de mais engarrafamento
Doses crescentes de ainda mais engarrafamento
Doses crescentes de automóveis de engarrafamento
Doses crescentes de mais automóveis de engarrafamento
Doses crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais automóveis de engarrafamento
Ainda mais automóveis ainda mais doses ainda mais automóveis doses ainda mais automóveis crescentes de ainda mais doses automóveis de engarrafamento
Ad catastrophem

amor ambiente

O amor condicionado como o ar
Está ressecando minhas narinas
E o ar que respira o antigo coração

O sangue a correr nas velhas veias
Do oxigênio condicionado do amor
Engarrafado em doses crescentes
De carbono queimado na atmosfera

o amor respira o ar da atmosfera
condicionado como o ar está o amor
do oxigênio sufocado pela queima
do carbono vegetal e mineral da terra

as narinas ressecadas
e o antigo coração condicionados
sufocados nesta atmosfera
de abandono do ar
de queima do carbono

o coração fumaça
sufoca o amor do mundo
a indústria do coração fumaça
sufoca

quinta-feira, 7 de maio de 2009

viração



poema na rua
amigo me diz
vai
agora vai
beijo
a rua me beija

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"As coisas que chamamos de amor"

"Cobiça e amor: que sentimentos diversos evocam essas duas palavras em nós! - e poderia, no entanto, ser o mesmo impulso que recebe dois nomes; uma vez difamado do ponto de vista dos que já possuem, nos quais ele alcançou alguma calma e que temem por sua 'posse'; a outra vez do ponto de vista dos insatisfeitos, sedentos, e por isso glorificado como 'bom'.

Nosso amor ao próximo - não é ele uma ânsia por nova propriedade? E igualmente o nosso amor ao saber, à verdade, e toda ânsia por novidades?

Pouco a pouco nos enfadamos do que é velho, do que possuímos seguramente, e voltamos a estender os braços; ainda a mais bela paisagem não estará certa do nosso amor, após passarmos três meses nela, e algum litoral longínquo despertará nossa cobiça: em geral, as posses são diminuídas pela posse. Nosso prazer conosco procura se manter transformando algo novo em nós mesmos - precisamente a isto chamamos possuir.

Enfadar-se de uma posse é enfadar-se de si mesmo.

(Pode-se também sofrer da demasia - também o desejo de jogar fora, de distribuir; pode ter o honrado nome de "amor".)

Quando vemos alguém sofrer, aproveitamos com gosto a oportunidade que nos é oferecida para tomar posse desse alguém; é o que faz o homem benfazejo e compassivo, que também chama de "amor" ao desejo de uma nova posse que nele é avivado, e que nela tem prazer semelhante ao de uma nova conquista iminente.

Mas é o amor sexual que se revela mais claramente como ânsia de propriedade: o amante quer a posse incondicional tanto sobre sua alma como sobre seu corpo, quer ser amado unicamente, habitando e dominando a outra alma como algo supremo e absolutamente desejável.

Se considerarmos que isso não é outra coisa senão excluir todo o mundo de um precioso bem, de uma felicidade e fruição; se considerarmos que o amante visa o empobrecimento e privação de todos os demais competidores e quer tornar-se o dragão de seu tesouro, sendo o mais implcacável e egoísta dos 'conquistadores' e exploradores; se considerarmos, por fim, que para o amante todo o resto do mundo parece indiferente, pálido, sem valor; e que ele se acha disposto a fazer qualquer sacrifício, a transtornar qualquer ordem, a relegar qualquer interesse: então nos admiraremos de que esta selvagem cobiça e injustiça do amor sexual tenha sido glorificada e divinizada a tal ponto, em todas as épocas, que desse amor foi extraída a noção de amor como o oposto do egoísmo.

Nisso, evidentemente, o uso lingüístico foi determinado pelos que não possuíam e desejavam - os quais sempre foram em maior número, provavelmente. Aqueles que nesse campo tiveram posses e satisfação bastante deixaram escapar, aqui e ali, uma palavra sobre o 'demônio furioso', como fez o mais adorável e benquisto dos atenienses, Sófocles: mas Eros sempre riu desses blasfemos - eram, invariavelmente, os seus grandes favoritos.

- Bem que existe no mundo, aqui e ali, uma espécie de continuação do amor, na qual a cobiçosa ânsia que duas pessoas têm uma pela outra deu lugar a um novo desejo e cobiça, a uma elevada sede conjunta de um ideal acima delas: Mas quem conhece tal amor? Quem o experimentou? Seu verdadeiro nome é amizade."

Friedrich Nietzsche. Gaia Ciência, § 14.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Plutarco

"Não se pode exercer a retórica sem falar, porém exerce-se a filosofia mesmo pelo silêncio, ou pelo gracejo; porquanto, assim como o mais alto grau da injustiça é não ser justo, e todavia parecê-lo, assim também a culminação da ciência consiste em filosofar sem dar indícios de tal, e de semblante alegre fazer o mesmo que fazem os mais sérios".

apud Tobias Barreto. "Teoria do peruísmo ou filosofia do peru". SP: Barcarolla, 2004.

domingo, 28 de dezembro de 2008

outro antecedente

não me venha meu bem com queixumes
pois "o amor é uma invenção do ciúmes"
se você me amasse menos e me amassasse mais
eu te juro meu bem, eu estaria em paz.


Theodor Wiesengrund Adorno dixit:

"Primeiro e único princípio da ética sexual: o acusador nunca tem razão."

Minima Moralia. SP: Ática, 1992, p. 42.

domingo, 9 de novembro de 2008

Fla Hélade


[contribuição anônima]

Fratria da Grécia Flamenguista

"Kalós! Kalós! Kalós kai Agathós!
Nóis é Flamengo, ninguém é melhor que nóis!"

terça-feira, 30 de setembro de 2008

foto de Kau H

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

na errância

na errância, erramos

educar é errar. E acertar onde não intentamos, se acaso alguma vez se faz algo de certo. Pela confiança e estima que encontramos, em estudantes e colegas, em colegas estudantes, em amigos e adversários...

o pensamento quer amadurecer para poder falar, mas muitas vezes não é possível, e talvez seja sempre impossível conseguir não falar em estado verde, em estado de incompletude e imperfeição.

e mesmo quando acertamos, mal deixa de se revelar nossa ignorância.

na errância, erramos.

quem eu, minúsculo e ignorante?

sábado, 23 de agosto de 2008

niteróiêba

niteróiêba
ainda na barriga cachorro já latiu
cheguei pequenininho com a sola do pé vermelha
logo pegou fogo na padaria
fui pra longe e fiquei lá muito tempo
crescendo
vivendo
vendo
lendo
sendo
daí um tempo vim parar aqui de novo
a cabeça já um tanto vácua
e os olhos perdidos nas ondas do mar
ah, niteróiêba
põe esse cachorro pra correr
ou deixa ele descansar ali na calçada
o cachorro da vida passando
e o passarinho cantando na luz da manhã

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

if

derramou coca cola no meu capital

o mundo dá voltas

o oceano, grande rio que corre para si mesmo
e cai como cachoeira nas próprias ribanceiras

o oceano cachoeira cai como chuva faceira
sobre nossas cabeças

derramou coca cola no capital
mas a gente vai adiante
que nem toda história em quadrinhos
é tio patinhas

segunda-feira, 2 de junho de 2008

vulgo filósofo


transtorna-te o que tu és

a popularidade para a filosofia
e o seu caráter acadêmico

vulgarizar a filosofia
torná-la digna do vulgo
torná-la vulgo
tornar o vulgo filósofo
entornar a filosofia
filosofar o vulgo
filosofar a vulgaria

como perder-se no pensamento?
como orientar-se no pensamento?

orientar-se a perder-se
vulgar
menos que filósofo
ignorante

entorna-te o que és

a tua ara atual

atual atuar ato atua atualizando atualiza
o ato atua atualiza o atuar atual
em ato o atual atua
o que cedo se pensou atua
o que cedo se pensou se faz atual

atualia!...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

meu amor de fumaça

Você, sua presença, me impede beijar meu amor. Você me impede. Você me oprime. Eu me deixo oprimir por você. Eu me auto-impeço. Eu me impeço. Eu incorporo a proibição. A proibição se torna obrigação. Eu me obrigo. Eu brigo comigo. Eu brigo com você. Opressão. Ação e reação. Destruição.

Deixa a vida viver. Deixa a palha queimar a vida em fumaça. Deixa a atmosfera esquentar. Deixa o oceano subir. Os tempos tormentosos já estão por vir. Por aqui pode reinar a paz.

A força sempre exige a força para reinar.
Qual a força da paz para criar seu reino?

é aqui que me treino e destreino.
age para o tempo menos se atormentar.
para o tempo amar e se amassar.
para você
e nós
animais e plantas
terra e mar
ar pra respirar
vida pra espertar

sexta-feira, 2 de maio de 2008

açude

si tu estavas lá en el camiño
yo no pudes yo já no podía
si estavas lá linda en el camiño
yo me sacudes yo me sacudía
que linda eras tu en el camiño
adonde acudes, adonde acudía

sábado, 26 de abril de 2008

mon amie

mon amie
jo quiero te ajudar a criar tu blog
vamos, vamos, vamonos

bjos

sábado, 5 de abril de 2008

alles klar Freunde

“O amor a um único ser é uma barbaridade: pois é praticado às expensas de todos os outros. Também o amor a Deus.” [Nietzsche, Além do Bem e do Mal, 67]


Pode o amor ser real? Um respeito profundo por quem está comigo, e a solidão, a dúvida da solidão, o destino da solidão...

A vida é o que é: um entrecruzamento de sentidos, atravessamento de forças, excita e dissipa, rolo compressor sobre asfalto quente, gente é piche pra ser amassado e modelado na estrada do futuro...

O poder do rei, do príncipe moderno, é ser nosso centro de atenção permanente, nosso canal de coordenação com o mundo do verdadeiro significado da força... acreditar na força...

“eles podem porque pensam que podem”

amor é cuidado, cura. Olhar nos olhos, tocar a pele e comunicar o silêncio.

"o povo tem a força, precisa descobrir: se eles lá não fazem nada faremos tudo daqui". Cidinho e Doca, Rap da Felicidade

sexta-feira, 28 de março de 2008

Nicolas Behr



NÓS QUE SOMOS LIVRES

nós que temos água tratada em casa
nós que não sabemos o que é passar fome
nós que morreremos lá pelo ano 2032
nós que somos manipulados pela mídia
nós que não seremos salvos no juízo final
nós que ainda não ficamos loucos
nós que estamos destruindo o planeta
nós que resistimos à invasão americana
nós que zombamos dos bêbados
nós que somos egoístas,por isso não queremos morrer
nós, os indiferentes, parasitas da máquina estatal
nós que nos consideramos sapiens
nós que falamos muito de nós mesmos
e pouco das coisas
nós que nos humilhamos perante deus
nós que temos dinheiro para comprar livros
nós que somos bons de cama e infelizes no amor
nós que às vezes plantamos árvores
nós do carro importado-fetiche,
do celular-fetiche, da grife-fetiche
nós que vamos à missa mas torturamos
nós que tratamos as crianças como imbecis
nós que somos fracos, por isso nos unimos
nós que temos esperança no ser humano
nós que sofremos de fadiga neurótica
nós os salvadores da pátria, ah que pátria...
nós que temos vergonha por sermos honestos
nós que quase fomos escravizados por hitler
nós que não entendemos as formigas nem os tijolos

domingo, 9 de março de 2008

dez encontros

1- "fugir desesperadamente do que diminui o nosso poder de agir"

2- desencontro

às vezes é no desencontro
que as almas se revelam
quando se ferem se lanham
com palavras lágrimas e insultos
e só lhes resta o assombro.

bem que gostaríamos
fosse ameno doce ou luminoso
o encontro mas é no desencontro
que às vezes as almas se revelam
quando ásperas e agressivas
se tocam no mais fundo
e perplexas se contemplam
como se contempla
- o intransponível abismo.

affonsorommanodesanttanna, oautor

3- minha cabeça roda, as pessoas estão aqui, perto, minha cabeça roda, as pessoas estão ali, bem perto, minha cabeça roda, quantas vezes minha cabeça roda e me perco das pessoas, aqui, ali, perto?

4- perdeu, perdeu

5- sonho. não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro. alea jacta est.

"dizem que ontem à noite um inexplicável morcego assustou os pacientes da enfermaria geral.

dizem que hoje de manhã todos os vidros do ambulatório apareceram inexplicavelmente sem tampa, os rolos de gaze todos sujos de vermelho." (josé paulo paes)

...

(dois morcegos à noite cravam no meu peito mas quase não machucam
voam diante de mim na luz escura da noite
morcegos em silêncio entre as árvores)

6- eu ia perguntar pra você se podia
mas senti só tristeza

7- "fico alegre quando te vejo
fico alegre quando me vê
eu sou um palhaço bonito
me apresento
lindo e louco
depois vou embora
depois torno a voltar
depois vou embora
depois torno a voltar
tira a bruxa do coração
solta a bucha e vira balão
vou com deus e nossa senhora
o capeta atrás tocando viola
nossa senhora do cerrado
protetora dos pedestres
que atravessam o eixão
às seis horas da tarde
fazei com que eu chegue
são e salvo
na casa da Noélia"
(liga tripa)

8- mãe e pai amo

9- água da seiva, meu irmão

10- pitágoras

- ainda falta?

terça-feira, 4 de março de 2008

"language is a virus"

tem gente que fica pondo comentários com links

para vírus imagino, não fico indo lá pra conferir

cuidado aí galera

esse blogspot não protege contra isso não?