sábado, 23 de fevereiro de 2008

sombra




à sombra, não, não há nada pra dizer à sombra, apenas o seu manto de negrume cobre inclusive as palavras

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eclipse quarta feira 20/02

Eclipse lunar total em 20-21/fevereiro

Durante a noite de 20 para 21 de fevereiro de 2008 ocorrerá um eclipse lunar total que poderá ser observado de todo o território brasileiro. Será um espetáculo imperdível! Consulta a programação para este dia em nossa a Agenda Astronônica.

A Lua penetrará na umbra (início da fase parcial) em torno de 22h43 de 20/02. A fase total se iniciará às 00h01 do dia 21/02 e irá até 00h51, durando portanto cinquenta minutos. O meio do eclipse se dará às 00h26. Ás 02h09 do dia 21/02, a Lua sairá da umbra, encerrando a segunda fase parcial do eclipse. Todos esses tempos estão no horário legal de Brasília.

Todas as fases deste eclipse serão visíveis do Brasil: uma condição tão favorável quanto essa não ocorrerá nos próximos anos. Note-se que, em 16/08/2008, haverá um outro eclipse lunar visível de boa parte do Brasil - mas este será parcial somente. E dos quatro eclipses que ocorrerão em 2009, nenhum será favorável para nós: três serão apenas penumbrais (e portanto, nada poderá ser observado visualmente), e o quarto, parcial, será invisível no Brasil. Na realidade, apenas em Abril de 2015 teremos condições ideais como as do eclipse que se avizinha. Portanto, recomendamos não perder esta oportunidade !

Maiores detalhes sobre este evento podem ser vistos em:

http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/LEmono/TLE2008Feb21/TLE2008Feb21.html

http://www.uranometrianova.pro.br/circulares/circ0032.htm

domingo, 17 de fevereiro de 2008

chorei contigo


me amasso na palhoça
me almoço no palhaço

chorei contigo
parei no inferno
o cão foi quem botou pra nós beber
o cão foi quem botou pra nós beber

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

amoça



ele ama adorar a moça
e a moça não é a moça
é adorar a moça

um pedestal que se põe dentro de casa
a imagem resplandecente
da moça que não é a moça

amar, além, a moça

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

semente de fogo


candombá

água, luz e treva



na escuridão e na luz
guiamos
seguimos
no mergulho de flutuação
a parede no fim e o vão no fundo

como nadar junto com uma só lanterna
a água entra na máscara pelo bigode
é preciso respirar e tomar cuidado
para não tossir demais e engolir mais água ainda

como nadar no escuro
na caverna onde nada se vê
e no fundo do chão há uma passagem submersa
para outro poço?

toda a escuridão do passado vem pesar sobre você agora
mas tem o peso do ar, o peso do vento,
o peso leve do movimento
o peso vácuo da fantasia

o sonho da escuridão
como dormir na pedra e sonhar na calçada
a luz da lua e a luz do poste
a água a cantar

vem, água, me encanta

erro e política

erro e política
hoje errei várias vezes, consigo me lembrar de algumas
todo dia erro várias vezes, às vezes muito mais do que outros dias
cada dia é um erro
cada dia um desacerto
mas não significa que todo mundo ajude
nem muita gente ajuda muito
a gente mesmo às vezes se atrapalha
a cada dia, todo dia, por pura vaidade,
por desmazelo,
por sono
ou por preguiça,
ou por comodismo,
ou por desespero,
ou por cinismo,
ou por auto-comiseração,
ou por que será?
por que será que erro e política sempre andam juntos?
ainda que aqueles acertem
no alvo
no meio da cara do alvo
como um soco
bem dado
mal dado
no meio da cara.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

elas




















as pedras se movem


movimento de pedra
é desmoronamento

ontologia


"quem sou eu diante da pedra?"

o ser sereia,
o ser serpenteia,
o nada nadeia,
a pedra desmorona,
movimento

no meio do nada estou desde que nasci
antes nadava no meio

ninguém entra no mesmo rio
duas vezes
as águas correm e não correm
somos e não somos

mas o tempo brinca, como uma criança, com as pedras do jogo
seu reino é de criança

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

prolegômeno



o diamante bruto, o brilho do diamante,
a terra revolta, revolvida
o rio assoreado
a pedra bilenar
as águas
fogo na chapada!
corre a brigada para enfrentar
a fumaça e as labaredas
cadê o helicóptero, IBAMA,
cadê o helicóptero, Estado da Bahia,
cadê o helicóptero, República do Brasil?
diamante bruto,
o verde da mata,
os caminhos da onça,
muita ladeira a galgar
muita trilha a caminhar
pra se encontrar no poço
onde a água vem dar.



gente















infelizmente não tenho fotos de todas as pessoas que conheci
e gostei de conhecer
de modo que vão só algumas imagens
mas o afeto vai para muitas mais

águas


Cachoeirão, no Vale do Paty


Fumaça


Poção


Mixila


Mixila


Mixila


Capivari

chão



vãos




palma

ribeirão



o caminho do rio corre no rego da pedra
a água escorrega e na mata da terra andamos
a terra é de areia e pedra
e a planta nasce
mangangás, mutucas e cavalos do cão nos assustam
a nós, que pouco vivemos os insetos
o caminho do rio corre
e escorrega no rego da pedra
a água do que passou
passamos

o sol nasce em são gonçalo




o sol nasce em são gonçalo
pra quem vem da cantareira
seja na ilha ou na ponteira
quando nasce o sol
no coração me regalo

antecedente

se você me amasse menos e me amassasse mais

domingo, 10 de fevereiro de 2008

capivari



agradeço o banho
se eu me jogar eu me perco, amor

eu vi mamãe oxum na cachoeira
colhendo lírio, lírio ê
colhendo lírio, lírio á
colhendo lírio pra enfeitar o seu congá

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

sertão

A Guimarães Rosa

Não permita Deus que eu morra
Sem que ainda vote em você;
Sem que, Rosa amigo, toda
Quinta-feira que Deus dê,
Tome chá na Academia
Ao lado de vosmecê,
Rosa dos seus e dos outros,
Rosa da gente e do mundo,
Rosa de instensa poesia
De fino olor sem segundo;
Rosa do Rio e da Rua,
Rosa do sertão profundo!
(Manuel Bandeira)



Retruque a Guimarães Rosa

Respondo a Guimarães Rosa
Em pé de romance assim:
Vou pedir ao Maçarico,
Vou pedir a Miguilim
Que a mano Rosa eles digam:

- "Rosa, não seja ruim.
Faça a vontade do bardo,
Ainda que bardo chinfrim!"
E eu secundo: Mano Rosa,
Rosa, rosai, rosae, rosae,
Vou aos meus dias pôr um fim.
Antes, porém, me prometa,
Pelo Senhor do Bomfim;
Que à minha futura vaga
Você se apresenta, sim
Muito saudar a Riobaldo,
Igualmente a Diadorim!?
(Manuel Bandeira)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

abateraberta

a porta que tento bater nunca está aberta

essa ousadia que é abrir mão do quero,
por não me contentar com menos.

não me deixa bater a porta
aberto o meu querer sereno

ameno como a lava do vulcão
sereno como o fogo
da madrugada
que pousa sobre as folhas
em gotículas de água

orvalho
a ousadia lava a cara da gente

pra ficar mais aberta
e beijo

quarenta anos para 1968

a revolução está se consumindo...
a consumação está revolucionando...

a consumação do consumo incessante revoluciona todas as condições a ponto de revolver a terra por baixo, a mais profunda grota da terra, para extrair todo o óleo petróleo matéria prima de toda química plástica poligrotesca donde o monstro de óleo e plástico surgirá do acúmulo carbônico dos oceanos e rios, godzilla é a superação revolucionária da sociedade de consumo.

a imaginação está tomando o poder!

poemineirinsô

doncôvim?
oncotô?
proncovô?
quemcossô?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

depressão a vinte metros

acorde pessimista, mesmo com a luz do sol e do céu brilhando sobre sua cabeça
acorde pessimista e previna-se da depressão,
mal que acomete especialmente os otimistas e esperançosos de toda espécie

o pessimismo radical é apenas
uma visão clara sobre o homem
ser jogado no mundo sem opção de escolha
sem conhecimento de fins ou causas
apenas com a clara, ofuscante consciência da finitude

o pessimismo mostra que a felicidade é uma ilusão
mas libertar-se da ilusão permite-lhe as alegrias possíveis

o mais próximo da realidade possível

que alegria é possível na queda constante no abismo?
a beleza das escarpas passando,
a paisagem, os encontros em plena queda

desfazimento, dissipação, difusão

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

cabelos de praia

no banheiro do elevador
as risadas das bruxas
as crianças riem
a porta abre e fecha

descruzando o corpo
moreno
dourado
de sol

a beleza eqüina
das longas crinas
a força cavalar das pernas
e as narinas, impetuosas
e eternas

ela vai, não vai?
a bi bia

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

pensância

é a tentância que leva à conseqüência,
e não a tendência, como erradamente ora se crê.

a tendência leva à ambulância,
assim como a clemência leva à jactância.

mesmo a tentância é apenas um grão de areia
diante da imensa força da abertura, de deixar ser
a deixância, a abrência
é a própria movência da magma universia

água que passa, jarro que não existe para conter

a continência é uma inconsistência

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

auto destruição

como acolher cupins em casa de madeira
viver é escorrer pelo ralo
desperdiçar a vida
criar sempre nada
apenas consumir e parasitar

tanatos tantas vezes vence eros
a errância de eros vira tanatos
jarro sem fundo

a beleza é fátua
alegrias fátuas
vida temporária
efeméride

a auto destruição não é minha
não é do eu, não é de si
o eu não há
quem se destrói é a mesma força criadora do universo
senhor sriva nataraja
a dança da criação e da destruição

o que querem os genes ao se reproduzir?
ao gerarem sempre uma nova geração?

esta força contrária da única
criação destruição

sábado, 5 de janeiro de 2008

para a infância que passou



penso, penso, penso
e acabo por pensar
que sem pensar
também se pensa

deu um perdido, deixou no vácuo

lei de darwin já dizida

errando bastante
a natureza evolui na medida

silogismo ao maracujá

tudo é negócio, tudo é negação do ócio, isso é o capitalismo.

é no ócio que se processa a evolução.

logo,

descansar é a revolução.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

espelho

a alma incomoda dentro de nós:
se vazia é cheia, se cheia torna-se vazia.
realmente incomoda! e desacomoda...
nem quando dorme se acomoda?

inhamantra

inhame, inhame, inhame
mais se come mais se inhame

inhame, inhame, inhame
mais se come mais se inhame

erro

não tenho medo de errar
meu erro
é ter medo de acertar

Guêróba - pra Wanina...


[canto]

guariroba com jiló, com jiló, com jiló
é bom de fazer dó!

e jiló com guariroba
come muito e nunca sobra
e jiló com guariroba
come muito e nunca sobra

guariroba com jiló, com jiló, com jiló
é gostoso de dar dó!

ano novo



Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só te cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.

Carrega-me contigo.
No Amanhã.


Hilda Hilst

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

revorteio

"fomos maus espectadores da vida, se não vimos também a mão que delicadamente - mata".

"enquanto o tempo não trouxer teu abacate amanhecerá tomate e anoitecerá mamão".

"o pior com nossos problemas é que ninguém tem nada com isso".

"se você quer ser feliz, seja".